#5 MeInpira – Nadar!
Indhigo
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01/07/2019 às 19:12
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O desporto é uma atividade que nos proporciona saúde, inclusão e nos incute diversos valores. Hoje vamos falar de natação e de uma jovem refugiada que salvou a vida de 18 pessoas. E que se salvou por saber nadar.


Pessoalmente, esse é o meu desporto favorito por tê-lo praticado durante mais de 10 anos por razões de saúde, e por todo o espírito envolvente que contribui para o nosso desenvolvimento pessoal. Sabia que a natação é considerado o desporto mais completo por trabalhar todos os nossos músculos e que uma piscina Olímpica tem água suficiente para tomar 9400 banhos?


História

Yusra Mardini nasceu em março de 1998 em Damasco, na capital da Síria.


                                                                           Fonte: unicefusa.org

Apaixonada por natação e incentivada/treinada pelo seu pai que era nadador profissional, ela passou a se dedicar a este desporto  e conseguiu ser integrada no Comitê Olímpico Nacional da Síria (criado em 1948 para incentivar a modalidade selecionando nadadores para representarem o país nos Jogos Olímpicos). Em 2012 e com apenas 14 anos, representou a sua nação nos Campeonatos Mundiais de Natação organizados pela FINA*.


*FINA é uma sigla para a Federação Internacional de Natação (tal como a FIFA está para o futebol). Originalmente em francês, Fédération internationale de natation (por a organização  estar sediada na Suíça e o idioma ser uma das línguas oficiais do país).

Fonte: Best Health Mag

Ela levava uma vida normal, porém a Guerra* na Síria intensificou-se em agosto de 2015, e a sua casa acabou sendo destruída. Em busca de um futuro melhor, ela e sua irmã decidiram fugir (os seus pais teriam de permanecer ainda pois a sua outra irmã era bebê). De certo já ouviu falar sobre os milhares de refugiados que para fugirem dos seus países em guerra, tentam a sua sorte lançando-se ao mar em barcos clandestinos e, entregues ao destino. E foi exatamente isso que aconteceu com Yusra.

*A maioria do povo sírio clama(va) por democracia num país ditatorial, porém o governo não o permite. Isso deu início a ondas de protestos, nos quais o governo começou a matar o próprio povo. Saiba mais sobre a situação da Síria AQUI.


Fonte: Middle East Eye

Da Síria, atravessou a fronteira e conseguiu chegar ao Líbano, e depois à Turquia onde embarcou numa balsa com 18 outros migrantes com rumo à Grécia (o barco tinha apenas capacidade para 7 pessoas).

Logo após uns 30 minutos da travessia, o motor falhou, o barco começou a encher de água e Yusra, sua irmã e outros dois migrantes que conseguiam nadar puxaram a balsa por mais de 3 horas até o motor começar a funcionar de novo (dos 20 migrantes, apenas 4 sabiam nadar). Acabariam depois por chegar à Grécia e daí continuaram pela Macedônia, Sérvia, Hungria e Áustria até chegarem a Berlim, na Alemanha, para onde muitos outros migrantes haviam se estabelecido e onde vivem hoje. Os seus pais conseguiram fugir mais tarde e a família reencontrou-se em 2016.

Participação nos Jogos Olímpicos

Após ter chegado na Alemanha e se ter estabelecido, Yusra continuou e continua até hoje a treinar como nadadora profissional com a meta de participar em mais Olimpíadas e mudar as nossas perceções, alertando que ''ser refugiado não é uma escolha, uma pessoa refugiada é uma pessoa normal que consegue alcançar grandes feitos''. E que no desporto, o que interessa são os resultados, reforçando a importância da inclusão.

 
Fonte: Twitter e Time

Um ano depois em 2016 nos Jogos Olímpicos sediados no Rio de Janeiro, Yusra foi uma das 10 atletas independentes da primeira equipa de refugiados a participar e a se estrear neste evento (saiba mais AQUI). A Equipe Olímpica de Refugiados é uma iniciatva do comitê olímpico para ''continuar a transmitir a mensagem de solidariedade e esperança a milhões de refugiados e atletas deslocados em todo o Mundo'' e vai contar com uma segunda edição nos próximos Jogos do próximo ano em 2020 em Tóquio (COI.pt).


Trabalho Humanitário

Além das várias palestras e discursos (incluindo na ONU) que dá sobre a sua história de coragem, determinação e sobrevivência, Yusra é também Embaixadora de Boa Vontade (Goodwill Ambassador) na UNHCR, a Agência de Refugiados das Nações Unidas. 

                                                                   Fonte: UNHCR


A sua história foi contada numa coleção de livros Good Night Stories for Rebel Girls (traduzido para o português: Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes) e está igualmente disponível em versão podcast no Soundcloud, porém apenas em inglês. Em 2018 foi lançada a sua autobiografia intitulada de Butterfly (ou Borboleta, um dos quatro estilos da natação). E em breve a sua história será contada em filme.

Fonte: Yusra-Mardini.com

'Nós só vivemos uma vez, então faça valer a pena'

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